As gaiolas são os lugares onde as certezas moram.

February 21, 2018

“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura . 
Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. 
Porque é só no vazio que o voo acontece. 
O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. 
Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. 
Por isso trocamos o voo por gaiolas. 
As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.”
 

Fiódor Dostoiévski em “Os Irmãos Karamazov

 

Eu já me despedi de muitas coisas em minha vida. Já disse “Adeus” para pessoas, ciclos, lugares e situações. E cada vez que isso aconteceu foi um apocalipse íntimo. Entrei num luto para absorver a ausência, vesti uma capa sombria e me permiti ser humana em cada dor, lágrima e cicatriz. Não importa se foram escolhas conscientes ou se foram forçadas goela abaixo - despedidas e renúncias são sempre doídas, mesmo quando necessárias e libertadoras.

O medo do desconhecido te força a olhar para dentro e sair do automático. É preciso se conhecer para escolher caminhos mais coerentes e felizes. O novo é um sempre um pulo no abismo. E esse pulo pode ser tanto sinônimo de um voo para a liberdade como o de um mergulho para o inferno. Tudo depende da perspectiva. Estar à mercê do futuro é um ato de coragem, mas também uma oportunidade rica que a vida nos dá de reinventar a própria história. Se abrirmos nossas mentes e nossos corações e aceitarmos que o mistério da vida está na ausência de certezas e que cada trecho da caminhada é cheio de múltiplas possibilidades, passamos a desenhar um enredo cheio de beleza e significado.

Lidar com a imprevisibilidade nos traz resiliência e cair da corda bamba é inevitável. Mas é possível levantar de cabeça erguida, quantas vezes forem necessárias. Encarar o incômodo vem com um bônus: a possibilidade de fazer diferente. A maioria das pessoas não enxerga, ou não quer enxergar, que na maioria das vezes a zona de conforto é de um desconforto tremendo. Sair da gaiola pode gerar insegurança, mas em determinado momento tudo volta a ser seguro. Pelo menos até a próxima surpresa porque a vida não pede a nossa opinião.

Rever valores, reconhecer erros e retraçar rotas é a ponte para o crescimento - um processo necessário e talvez a única forma de dar passos largos para a tão sonhada felicidade.

 

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